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Encarnar-se com Deus

O final do ano se aproxima e a vida novamente se renova como oportunidade de transformação para todos nós. Em um ano de muitas adversidades, acreditamos na verdadeira força humanizadora de Deus na figura de um menino deitado na manjedoura. E tudo isso resultou de uma decisão de uma mulher. Uma mulher que foi capaz de olhar para a sua vida e dizer sim a um projeto totalmente fora de seus planos. Ela, cedendo os seus próprios impulsos à vontade do Pai, cumulou a terra de graça e fez com que toda a humanidade se rejubilasse com a presença do próprio Deus feito carne no meio de nós.

Santo Agostinho de Hipona deixa claro a sua satisfação em ver em Maria, o meio concreto pelo qual Deus, Todo-Poderoso, assume uma natureza frágil para resgatar toda a criação através do amor. “Em Cristo, fez-se homem quem fez o homem; nasceu de uma Mãe que Ele criou; foi conduzido por mãos que Ele mesmo formou e nutriu-se de seios que Ele mesmo prodigalizou.” Sermão 188, 2.

Resgate. É incrível pensarmos na condição assumida por Deus para resgatar o gênero humano. O amor de Deus pela sua criação o faz um ser criativo. Ele se reinventa no ventre humano. E se encarna, habitando no meio de nós. Ele se alimenta daquilo que Ele mesmo criou, para significar a vida humana. E ao dignificar a vida humana entrega em nossas mãos a continuidade do resgate de tantas outras vidas. Vidas que vemos abandonadas dormindo nas calçadas das grandes cidades, esquecidas nas mortes fúteis pela ambição dos bens materiais, nas enormes filas em busca de um emprego para sua sobrevivência, negada nos atos discriminatórios de raças, credos, gêneros e orientações de vida e ferida pela ignorância de tantos que não conhecem a tolerância como espaço de encontro das diferenças próprias do seres humanos.

Nesse processo, nos parece formidável percebermos a importância que o simples alcança no processo salvífico. O simples em forma de mulher. Maria reflete a disponibilidade humana diante do transcendente e a capacidade que Deus pôs em cada um de nós de assumirmos o projeto de libertação presente na construção do Reino de Deus. Através do seu exemplo todos nós nos tornamos sinais visíveis da força humana que encontra na esperança de um mundo melhor, o motivo para seguir caminhando e lutando a favor da justiça de uma maioria anônima que geme e sofre a falta de respeito humano.  Anônima como a Menina de Nazaré também o foi, mas que guardava em seu coração, a beleza e o sonho de ver a felicidade se concretizar na presença de seu filho, o Cristo Messias.

Como nos recorda o Sermão 184,1 de Santo Agostinho “uma mulher nos trouxe a vida” e continua a sustentá-la todas as vezes que estamos ao lado da luta pela liberdade e o amor. Maria se faz presença doce e terna na certeza de que somos acolhidos nos braços do Pai independente de nossa condição. A memória do natal nos faz compreender por que Deus quis ter uma mãe e receber o amor materno ao se encarnar no meio de nós. Basta querermos também encarnamos com Ele, por um mundo melhor.

Frei Arthur Vianna Ferreira, OSA

5 dez
28 nov
Advento: saudades do futuro

Advento é tempo de espera, de vigilância, de preparação e de chegada. É o tempo litúrgico onde o suspiro de expectativa e de esperança não fica sem resposta. O Advento é um brado de esperança.  “O ar está cheio de nossos gritos” (Beckett). A Vinda de Cristo é, portanto, o grande evento que agita os corações, sacode as inteligências, inquieta as pessoas, move as estruturas...Toda a nossa vida se transforma na história de uma espera e de um encontro surpreendente. Quem vive o clima do Advento não é prisioneiro da “cotidianidade”: mantém o olhar fixo no horizonte, para a consolação, para a revelação da glória de Deus. Se o presente é sem sol, ele está seguro da aurora.

 “O futuro é ilusão temperada na fé. Deste, nada se sabe e, no entanto, tudo se espera: o amor ávido, o bem-estar diletante, a irrupção final e feliz do ser que somos e não temos sido” (Frei Betto). Advento é sempre tempo de redescobrir quem somos, o que queremos e para onde vamos. A “mística da gravidez” perpassa todo este tempo, criando em nós uma atitude permanente de espera e fazendo-nos crer na força escondida da vida que continuamente está para nascer. Trata-se de um tempo que alimenta em nós o desejo e a esperança de um “novo parto” da salvação de Deus.

Deus quebrará seu silêncio, a noite escura será iluminada, a primavera substituirá o inverno. O cristão guarda em si o fogo do Espírito Santo, que o mantém sempre vivo, forte, aberto ao futuro. Ele não olha o passado; vê longe e sonha grande. Porque está aberto ao Espírito, não permanece especta-dor e passivo.

Podemos recordar a missão do sentinela, uma das figuras bem conhecidas na história do povo do A.T.  Situado estrategicamente em lugares altos e de amplos horizontes, ele recebe a delicada missão de obser-var, vigiar, discernir e anunciar, para defender a vida do povo .Tal missão implica numa vigilância investigadora do horizonte, onde se fazem perceptíveis os “sinais”, ou até mesmo os indícios de que algo importante para a vida do povo está prestes a acontecer.

Mas não basta captar os sinais. O sentinela deve interpretá-los, quando não são claramente perceptíveis, no horizonte longínquo. Por isso, o sentinela está treinado para “olhar”  a grandes distâncias, para “olhar”  com precisão. Seu “olhar” investigador, aguçado pelo amor ao povo e a fidelidade à missão, está em alerta permanente. “Em meu posto de espreita, meu Senhor, estou firme ao longo do dia,e no meu posto de guarda, permaneço de pé noites inteiras” (Is. 21,8).

O mais específico da função do sentinela é, portanto, a capacidade de “olhar”  corretamente e de anunciar  o que vê, sem se deixar enganar pelas aparências ou por qualquer tipo de engano, sempre em função da defesa daqueles que dependem da sua vigilante perspicácia.

Testemunha fiel, que não se deixa comprar nem subornar, o sentinela é a visibilização da Misericórdia de Javé para com o povo, em meio aos problemas e ameaças da sua história.

Esta atitude de permanente vigilância, de contínua conversão do olhar, é também constitutiva da vocação cristã. Jesus a descreve com uma parábola, na qual a lâmpada acesa é o símbolo do olhar transparente e vigilante que deve caracterizar seus seguidores chamados ao “banquete do Reino”.

Seguidores de Jesus, somos chamados a ser permanentemente, na Igreja e no mundo, sentinelas do Rei-no, capazes de discernir com lucidez e perspicácia as interpelações e os desafios que surgem no hori-zonte da história, e que podem ser ou “boa-nova” para o povo, ou “ameaça e atentado”  à sua vida e dignidade.

Cada momento histórico tem os seus “sinais” que remetem a intervenções misericordiosas de Deus na história dos povos. Devemos, portanto, viver a contínua “conversão do olhar”, que nos permita enxergar e anunciar na arena da história, a presença das bem-aventuranças, a lógica maior do Reino de Deus, os sinais da misericórdia infinita do Pai. A encruzilhada histórica que estamos vivendo parece pedir com mais urgência tal atitude.

Vigiar não significa, portanto, passividade; é ousar renascer, advir, vir-de-novo, recomeçar... Nessa vigilância vislumbramos detalhes decisivos: a vivência da ternura, a reinvenção da vida em cada amanhecer, o criar asas e alçar vôo, o despertar de sonhos, a gratuidade amorosa, a alegria descontrolada...

Espera-se Jesus vivendo os valores que Ele encarnou: o cuidado dos pobres, a misericórdia aos faltosos, a tolerância para com o diferente, o pão de cada dia a todos, o coração dilatado à misteriosa presença do Amor...  “O difícil é esperar. Desespêro é fácil, e é a grande tentação” (Péguy).

Um canto de fé e de esperança segura: esse é o sentido da existência cristã. Com essa espera de Deus, com essa esperança, o cristão pode dar sabor à sua vida, muitas vezes modesta e simples. Ter esperança é, essencialmente, busca incessante, luta por aquilo que não tem lugar agora, mas, acredita-se, terá um dia.

A esperança tem suas raízes na eternidade, mas ela se alimenta de pequenas coisas. Nos pequenos gestos ela floresce e aponta para um sentido novo. O Advento nos revela segredos futuros: no ponto final seremos todos acolhidos por Aquele que nos quer “eternos”.  Porque Ele é “terno”. E disso temos saudades.

Padre Adroaldo, sj.

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27 nov
Para proteger a vida, é preciso amá-la

A lembrança das etapas na Tailândia e no Japão marcou a Audiência Geral do Papa Francisco na Praça São Pedro. “Para proteger a vida, é preciso amá-la, e hoje a grave ameaça nos países mais desenvolvidos é a perda do sentido de viver”, alertou.

Ao agradecer às autoridades governamentais e eclesiásticas dos dois países, o Pontífice afirmou que a visita aumentou a sua proximidade e o seu afeto por aqueles povos: “Deus os abençoe com abundância de prosperidade e de paz”.

Povo thai: povo do belo sorriso

Começando pela primeira etapa, Francisco recordou que a Tailândia é um antigo Reino que se modernizou fortemente. O povo “thai” é o “povo do belo sorriso. As pessoas ali sorriem. Encorajei o empenho pela harmonia entre os diversos membros da nação e para que o desenvolvimento econômico possa ir em benefício de todos e sejam sanadas as chagas da exploração, especialmente das mulheres e dos menores”. Sobre a religião budista, parte integrante da história e da vida do povo tailandês, o Papa citou o encontro com o Patriarca Supremo e com os líderes ecumênicos e inter-religiosos.

Com a comunidade católica local, o Pontífice viveu momentos de convívio com os sacerdotes, os consagrados, os bispos, os jesuítas. Celebrou duas missas e conheceu de perto o trabalho do Hospital São Luís em prol dos últimos. “Ali experimentamos que na nova família formada por Jesus Cristo existem também os rostos e as vozes do povo Thai”.

Japão: capacidade extraordinária de lutar pela vida

Depois, foi a vez do Japão, cujo lema “Proteger cada vida” acompanhou a sua visita. O país, afirmou, “carrega impressas as chagas do bombardeio atômico e é em todo o mundo porta-voz dos direitos fundamentais à vida e à paz”.

Em Nagasaki e Hiroshima, o Papa rezou, encontrou sobreviventes e familiares das vítimas. “Reiterei a firme condenação das armas nucleares e da hipocrisia de falar de paz construindo e vendendo artilharia bélica.”

Depois daquela tragédia, prosseguiu, o Japão demonstrou uma extraordinária capacidade de lutar pela vida e o fez inclusive recentemente depois do tríplice desastre de 2011: terremoto, tsunami e acidente na central nuclear.

“ Para proteger a vida, é preciso amá-la, e hoje a grave ameaça nos países mais desenvolvidos é a perda do sentido de viver.”

As primeiras vítimas do vazio de sentido, apontou Francisco, são os jovens. Por isso, dedicou um encontro a eles em Tóquio, aos quais encorajou a se opor a toda forma de bullying, e a vencer o medo e o fechamento abrindo-se ao amor de Deus.

“Auspiciei uma cultura de encontro e diálogo, caracterizada pela sabedoria e amplidão de horizonte. Permanecendo fiel aos seus valores religiosos e morais, e aberto à mensagem evangélica, o Japão poderá ser um país condutor por um mundo mais justo e pacífico e pela harmonia entre homem e meio ambiente.”

Queridos irmãos e irmãs, finalizou o Papa, “confiemos à bondade e à providência de Deus os povos da Tailândia e do Japão”.

Fundação Nizami Ganjavi

Antes da Audiência Geral, o Papa Francisco recebeu os membros da Fundação Nizami Ganjavi. Trata-se de uma organização dedicada à memória do grande poeta do Azerbaijão do século XII, com a finalidade de promover a paz no diálogo e no respeito mútuo.

Francisco encorajou a Fundação a prosseguir neste caminho, sobretudo no que diz respeito ao desafio das mudanças climáticas, convencidos de que a cultura do diálogo é a via mestra, a colaboração é a conduta mais eficaz e conhecimento recíproco é o método para crescer na fraternidade entre as pessoas e os povos.

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19 nov
A esperança transforma a história: por uma pastoral mais escatológica

Na atual conjuntura, o sistema econômico e político neoliberal, lançando suas influências sobre a cultura, faz crescer uma contra utopia do status quo que mergulha o ser humano numa apatia generalizada, negando a este qualquer alternativa de transformação da realidade. Não se tem mais utopias e a esperança parece haver morrido. No entanto, ainda é possível encontrar algumas forças utópicas que insistem em resistir e, dentre elas, a própria mensagem cristã, que desde sua perspectiva escatológica, quer ser uma palavra de esperança para o homem e para o mundo. Todavia, historicamente, percebe-se uma série de deslocamentos da reflexão escatológica e a sua estagnação como um mero tratado teológico que versa, muitas vezes fantasiosamente, sobre o fim da pessoa e do mundo. Não obstante, a redescoberta da escatologia pela teologia contemporânea, sobretudo as contribuições de Jürgen Moltmann, em sua obra Teologia da esperança, nos oferecem uma nova compreensão da escatologia cristã, que entendida na ótica de uma esperança ativa, é capaz de iluminar nossa pastoral e lançar nossas comunidades e a cada um de nós em projetos de transformação da história.

Frei Tailer Douglas Ferreira

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8 nov
Papa afirma: prisões são o reflexo da sociedade que prefere reprimir a educar

É mais fácil reprimir do que educar: palavras do Papa Francisco esta manhã, ao receber em audiência, no Vaticano, os participantes do Encontro sobre o Desenvolvimento Humano Integral e a Pastoral Penitenciária Católica.

Em seu discurso, o Pontífice reiterou o conceito de que a situação dos cárceres segue sendo o reflexo da nossa realidade social e consequência de nosso egoísmo e indiferença sintetizados na cultura do descarte.

Muitas vezes, afirmou, a sociedade procura no isolamento e no encarceramento a solução última aos problemas da vida em comunidade. Para isso, com frequência toma medidas desumanas, justificando-as em uma suposta busca do bem e da segurança, destinando grandes quantidades de recursos públicos para reprimir os infratores. Ao invés, deveria investir energias em procurar a promoção do desenvolvimento integral das pessoas para reduzir as circunstâncias que favorecem a realização do crime.

                                                “ É mais fácil reprimir que educar - diria que é mais cômodo também -, negar a injustiça
                                                    presente na sociedade e criar estes espaços para fechar no esquecimento os infratores,
                                                    do que oferecer igualdade de oportunidades de desenvolvimento a todos os cidadãos.”

Superar a estigmatização

Francisco dedicou ampla parte do seu discurso para falar dos processos de reinserção. Muitos desses processos fracassam porque na experiência prisional o detento vive a sua despersonalização. Já uma verdadeira reinserção social começa garantindo oportunidades de desenvolvimento, educação e acesso à saúde.

O Papa convida a superar a estigmatização de quem cometeu um erro.

“ Se esses irmãos e irmãs já descontaram a pena pelo mal cometido, por que se
coloca sobre seus ombros um novo castigo social com a rejeição e a indiferença?
Em muitas ocasiões, esta aversão socialé um motivo a mais para expô-los
a reincidir nas próprias faltas. ”

Horizonte e maternidade

Antes de concluir, Francisco propôs à reflexão dos presentes duas imagens: a do horizonte e a da maternidade.

Para ele, não se pode falar de punição humana sem horizonte. "Até mesmo a punição perpétua - para mim discutível -, tem que ter um horizonte. Ninguém pode mudar de vida se não vê um horizonte."

A segunda imagem remeteu o Papa a Buenos Aires, quando em visita pastoral observava a fila de mães fora do cárcere para visitar os detentos. Elas não sentiam vergonha, porque iam visitar sem filhos. "Que a Igreja aprenda a maternidade dessas mulheres e aprenda os gestos de maternidade para com os presos."

Silêncio generoso

Por fim, o Papa dirigiu palavras de encorajamento aos agentes de pastoral.

“Peço a Deus por cada pessoa que, a partir do silêncio generoso, serve a estes irmãos, reconhecendo neles o Senhor. Congratulo-me por todas as iniciativas com as quais assistem também pastoralmente às famílias dos detentos e as acompanham neste período de grande provação, para que o Senhor abençoe a todos.”

As Marias do nosso tempo

A Pastoral Carcerária Nacional participou do encontro com o Papa Francisco. O Padre Gianfranco Graziola comentou sobre a mensagem do Pontífice aos presentes, em especial, sobre "as Marias de nosso tempo, que ficam perto da cruz, e dos Cristos crucificados de nossa humanidade":

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5 nov
Promoção vocacional e formação

“Vem e segue-me”. (Mt 19,21)

A origem da vocação encontra-se na iniciativa Divina.
Deus chama, com sua graça, aqueles que Ele quer,
 para uma missão ou serviço.(III Congresso Vocacional do Brasil)

 

A Pastoral Vocacional e a formação para a Vida Religiosa e Sacerdotal tornaram-se instrumentos de grande valor para a Igreja nas últimas décadas, principalmente após o Concílio Vaticano II, quando, pelo impulso do Espírito Santo, a Igreja, aberta ao mundo em suas transformações, foi assumindo um novo ardor missionário e evangelizador. Já em 1964, o Papa Paulo VI instituiu o Dia Mundial de Oração Pelas Vocações. No Brasil, a missão da Igreja após o Vaticano II, com sua voz profética nos tempos da ditadura militar (1964-1985), sua presença esperançosa no meio dos pobres e excluídos, sua opção preferencial pelos jovens à luz da Conferência de Puebla, sua preocupação em organizar as comunidades de base (CEBs), possibilitando que a Palavra de Deus iluminasse a realidade sofrida de nosso povo e ajudasse a organização popular por meio de movimentos sociais e eclesiais na busca de seus direitos. Neste contexto pós Concilio Vaticano II, muitos religiosos(as), sacerdotes, bispos, missionários(as) e evangelizadores leigos se tornaram um exemplo de compromisso com a construção do Reino de Deus, no aqui e agora de nossa história, tornando-se referência vocacional de seguimento a Jesus Cristo.

Neste contexto, a Pastoral Vocacional foi alcançando um lugar de destaque em nossa realidade eclesial e pastoral. Recordemos que no ano de 1983 celebrou­-se em todos os cantos e recantos da Igreja no Brasil, o primeiro ano vocacional. Quem não se recorda ou nunca rezou a oração vocacional criada para aquele ano: “Senhor da Messe e Pastor do Rebanho, faz ressoar em nossos ouvidos teu forte e suave convite: “Vem e segue-me”? Posterior a este período, seguiu-se uma etapa avaliada como sendo de crise vocacional, com significativa diminuição do número de sacerdotes e religiosos(as) e diminuição da vinda de missionários estrangeiros, fruto das mudanças nos diversos contextos da sociedade e da cultura pós-moderna. A crise vocacional, iniciada neste período, trouxe o fechamento de muitas casas e obras mantidas por Ordens e Congregações. Por outro lado, houve uma recuperação no número de vocações masculinas nos países do hemisfério sul, principalmente nos continentes africano e asiático, principalmente as vocações diocesanas. A crise se fortaleceu e é mais sentida, em nossos dias, no hemisfério norte (Europa, EUA, Canadá...), naqueles países tidos anteriormente como grandes celeiros de vocações e de tradição religiosa, de onde partiram muitos missionários(as) em tempos passados.

Vinte anos depois do primeiro ano dedicado às vocações, em 2003, celebrou-se o Segundo Ano Vocacional no Brasil, com o tema: “Batismo, fonte de todas as vocações”, e o lema: “Avancem para águas mais profundas” (Lc 5,4). Nós Agostinianos da agora nova Província Nossa Senhora da Consolação do Brasil (naquele momento, Vicariato Nossa Senhora da Consolação), vivemos intensamente esses momentos da caminhada da Igreja no Brasil e na América Latina após o Vaticano II, sempre identificados com as Diretrizes da Evangelização da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), com as orientações da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB) e da Conferência dos Religiosos da América Latina (CLAR). Durante este período, alguns de nossos Frades estiveram inseridos em Comissões e Diretorias destes organismos da Igreja, demonstrando a comunhão e a sintonia com os novos rumos da Evangelização. Em outros momentos desta caminhada, nosso processo formativo e o trabalho na promoção e animação de novas vocações esteve integrado com outros grupos de Agostinianos e Agostinianas do Brasil. Realizamos experiências de apoio e intercâmbio com outros grupos agostinianos na América Latina, em especial, por cerca de quinze anos, apoiamos o trabalho vocacional e formativo no Vicariato da Bolívia, estivemos por oito anos apoiando a nova presença agostiniana em Cuba e recentemente colaborando num projeto comum de formação no Peru.

Nos últimos anos, o trabalho da Pastoral Vocacional de nossa Província ganhou força e estabilidade, contando com um maior apoio institucional e investimentos econômicos, pedagógicos e metodológicos, assim como, com uma colaboração e envolvimento mais efetivo e constante de nossos formandos e religiosos. Fruto deste trabalho e do testemunho de vida fraterna e comunitária, da acolhida, criatividade, dedicação e zelo para com aqueles que o Senhor da Messe nos confiou, desde o ano 2008 houve um aumento no número de vocacionados acompanhados e de ingresso de candidatos em nossa etapa inicial de formação. Foi possível acompanhar jovens de regiões mais distantes do país e inclusive realizar anualmente encontros na região nordeste e visitar jovens e promover atividades em outras regiões. O ano de 2010 foi um marco para a formação, quando chegamos a ter quarenta e oito jovens em nossas casas de formação. Abriu-se uma nova casa de formação em Belo Horizonte, a Fraternidade Santa Mônica, que acolheu a etapa do Aspirantado até o ano de 2017. Atualmente, a Fraternidade Agostiniana, no Bairro do Barreiro, em Belo Horizonte, é a casa de formação que recebe os jovens para o Aspirantado, Postulantado e Pré-noviciado (Estudos de Filosofia).

Após dez anos de intercambio e apoio de nosso Vicariato ao Teologado de Cochabamba - Bolívia, em 2011 retornamos para a cidade de Diadema, na região metropolitana de São Paulo, onde de 1988 a 1998, mantivemos nosso Teologado, na Fraternidade Santo Dias, região periférica e de grande número de operários. Nos anos de 2009 e 2010 o Teologado esteve provisoriamente na cidade de São Paulo. A Etapa do Noviciado, após quase três décadas funcionando sequencialmente em Bragança Paulista (SP), em 2015 passou a ser realizada em conjunto com outros países da América Latina, sendo a sede na cidade de Lima - Peru, onde continua até os dias de hoje, sendo que o primeiro mestre de noviços deste projeto comum de formação era de nosso Vicariato.

Sabemos que o investimento na formação é um caminho importante para fortalecer nossa presença hoje e no futuro na Igreja do Brasil, após estes noventa anos de caminhada e história. Por isso, olhando para o futuro, atentos aos sinais dos tempos e às mudanças na cultura e na Igreja, o Capítulo Vicarial realizado em dezembro de 2018, criou o Secretariado de Animação Vocacional e Juvenil, estruturando e dando novo impulso e dinamismo ao trabalho com as juventudes e as vocações.

O ano de 2019 se tornou um marco histórico de nossa presença no Brasil, pois ao celebrarmos noventa anos da chegada dos Agostinianos do Escorial (Espanha), o Capítulo Geral Ordinário celebrado em Roma, no dia 16 de setembro elevou nosso Vicariato à categoria de Província, dando novo vigor e ardor missionário e fortalecendo nossa responsabilidade e compromisso na formação de futuros religiosos que promoverão o carisma e a espiritualidade agostiniana no Brasil e continuarão a obra evangelizadora, educacional e assistencial herdada de tantos religiosos, desde os pioneiros que chegaram a partir de 1929 e não tiveram medo de arriscar suas vidas e se colocaram à serviço da Igreja no Brasil, até os atuais religiosos que com dedicação e zelo apostólico e o testemunho de fraternidade, possibilitaram a credibilidade, confiança e reconhecimento que conduziu à criação da Província Agostiniana Nossa Senhora da Consolação do Brasil.   

Somos conscientes dos grandes desafios que se apresentam para o trabalho da Evangelização e para a Formação de novos religiosos e sacerdotes. A mudança de época que estamos vivendo, com grandes transformações na cultura, na religião, nas instituições que antes eram tidas como sólidas: Família, Igreja, Política, Sociedade, bem como uma mudança de paradigma relacional com o advento e fortalecimento das tecnologias de informação, mídias sociais e meios de comunicação globalizados. Cientes de que o Senhor chama os que Ele quer e de onde quer, neste novo contexto da realidade humana, social, religiosa e cultural que vivemos, é necessário uma boa preparação para ler os sinais dos tempos, uma centralidade e um cuidado da vida espiritual, um testemunho de coerência e fidelidade vocacional, uma vivência dos valores do  Reino de Deus, um compromisso com os grandes temas que atingem a humanidade, entre eles a desigualdade social e o cuidado dos mais pobres e vulneráveis, o cuidado da Casa Comum: meio ambiente-natureza, a promoção da Justiça e da Paz, o diálogo com a sociedade e as culturas, entre outros. Nosso apostolado e missão, abertos aos novos sopros do Espírito, continue colaborando na promoção de muitas vocações para a construção de uma sociedade mais justa, fraterna, solidária, inclusiva e acolhedora, como reflexo da presença do Reino no meio de nós.

Recentemente (setembro de 2019), a Igreja do Brasil realizou o 4º. Congresso Nacional da Vocacional, buscando refletir sobre o tema das vocações em nossa realidade eclesial e situar as vocações na pastoral de conjunto da Igreja. A Igreja entende que os novos contextos sócio-eclesiais exigem ousadia na apresentação de propostas vocacionais e a promoção, com urgência, de uma cultura vocacional. O Congresso Vocacional buscou provocar a necessidade de se refletir sobre o sentido último da vida, sobre a necessidade da oração em prol das vocações e acima de tudo expandir o tema vocacional para todos os âmbitos eclesiais e sociais, principalmente sobre a arte do discernimento vocacional tão urgente e necessário no apostolado da Igreja.

Que o Espírito Santo torne fecundo o trabalho vocacional e formativo de nossa Província e ilumine a nova geração de consagrados e consagradas para que colaborem, através da mística e da profecia, para que as pessoas experimentem o amor de Deus e a vida em plenitude pela qual Jesus Cristo entregou sua vida.

 

Frei Márcio Antonio Vidal de Negreiros - OSA

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28 out
A atualidade de Santo Agostinho: uma perspectiva teológico-pastoral

Resumo

Este artigo pretende abordar a atualidade de Santo Agostinho a partir de uma perspectiva teológico-pastoral. O pensamento e a espiritualidade de Santo Agostinho (354-430) sobreviveram na cultura ocidental como uma das contribuições mais vigorosas do cristianismo e sua experiência de vida, bem como seu legado espiritual, filosófico e teológico trazem profundas intuições na busca de resposta às grandes questões dos homens e mulheres de todos os tempos. Sua conversão é um “evento hermenêutico” que se constitui como chave de leitura para a compreensão de sua vida e sua obra. Sua teologia foi-se construindo na sua experiência de pastor por mais de quarenta anos em Hipona (na atual Argélia), norte da África. Destaca-se aí sua contribuição como “pacificista”, com uma prática que foi tematizada tanto em suas obras formais como nas suas pregações e correspondência. A recente descoberta de novas cartas e sermões de Santo Agostinho revela um lado pouco conhecido do Doctor Gratiae. O aspecto político de seu pensamento, uma das abordagens mais atuais da pesquisa sobre suas obras, permite-nos uma aproximação ao tema
da Campanha da Fraternidade de 2009, “Fraternidade e Segurança Pública”, lançada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Palavras-chave: Espiritualidade; Conversão; Jesus Cristo; Pastoral; Paz.

Autor: Frei Luiz Antônio Pinheiro, OSA

- Leia o artigo completo aqui:

atualidade-de-santo-agostinho.pdf

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21 out
Pacto das Catacumbas pela Casa Comum

Por uma Igreja com rosto amazônico, pobre e servidora, profética e samaritana

Nós, participantes do Sínodo Pan-amazônico, partilhamos a alegria de habitar em meio a numerosos povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, migrantes, comunidades na periferia das cidades desse imenso território do Planeta. Com eles temos experimentado a força do Evangelho que atua nos pequenos. O encontro com esses povos nos interpela e nos convida a uma vida mais simples de partilha e gratuidade. Marcados pela escuta dos seus clamores e lágrimas, acolhemos de coração as palavras do Papa Francisco: “Muitos irmãos e irmãs na Amazônia carregam cruzes pesadas e aguardam pela consolação libertadora do Evangelho, pela carícia de amor da Igreja. Por eles, com eles, caminhemos juntos”[1].

Evocamos com gratidão aqueles bispos que, nas Catacumbas de Santa Domitila, ao término do Concílio Vaticano II, firmaram o Pacto por uma Igreja servidora e pobre[2]. Recordamos com veneração todos os mártires membros das comunidades eclesiais de base, de pastorais e movimentos populares; lideranças indígenas, missionárias e missionários, leigas e leigos, padres e bispos, que derramaram seu sangue, por causa desta opção pelos pobres, por defender a vida e lutar pela salvaguarda da nossa Casa Comum[3]. À gratidão por seu heroísmo unimos nossa decisão de continuar sua luta com firmeza e coragem. É um sentimento de urgência que se impõe ante as agressões que hoje devastam o território amazônico, ameaçado pela violência de um sistema econômico predatório e consumista.

Diante da Trindade Santa, de nossas Igrejas particulares, das Igrejas da América Latina e do Caribe e daquelas que nos são solidárias na África, Ásia, Oceania, Europa e no norte do continente americano, aos pés dos apóstolos Pedro e Paulo e da multidão dos mártires de Roma, da América Latina e em especial da nossa Amazônia, em profunda comunhão com o sucessor de Pedro, invocamos o Espírito Santo, e nos comprometemos pessoal e comunitariamente com o que se segue:

1. Assumir, diante da extrema ameaça do aquecimento global e da exaustão dos recursos naturais, o compromisso de defender em nossos territórios e com nossas atitudes a floresta amazônica em pé. Dela vêm as dádivas das águas para grande parte do território sul-americano, a contribuição para o ciclo do carbono e regulação do clima global, uma incalculável biodiversidade e rica socio diversidade para a humanidade e a Terra inteira.

2. Reconhecer que não somos donos da mãe terra, mas seus filhos e filhas, formados do pó da terra (Gn 2, 7-8)[4], hóspedes e peregrinos (1 Pd 1, 17b e 1 Pd 2, 11)[5], chamados a ser seus zelosos cuidadores e cuidadoras (Gn 1, 26)[6]. Para tanto, comprometemo-nos com uma ecologia integral, na qual tudo está interligado, o gênero humano e toda a criação porque a totalidade dos seres são filhas e filhos da terra e sobre eles paira o Espírito de Deus (Gn 1, 2).

3. Acolher e renovar a cada dia a aliança de Deus com todo o criado: “De minha parte, vou estabelecer minha aliança convosco e com vossa descendência, com todos os seres vivos que estão convosco, aves, animais domésticos e selvagens, enfim, com todos os animais da terra que convosco saíram da arca (Gn 9, 9-10 e Gn 9, 12-17[7]).

4. Renovar em nossas igrejas a opção preferencial pelos pobres, em especial pelos povos originários, e junto com eles garantir o direito de serem protagonistas na sociedade e na Igreja. Ajudá-los a preservar suas terras, culturas, línguas, histórias, identidades e espiritualidades. Crescer na consciência de que estas devem ser respeitadas local e globalmente e, consequentemente favorecer, por todos os meios ao nosso alcance, que sejam acolhidas em pé de igualdade no concerto mundial dos demais povos e culturas.

5. Abandonar, como decorrência, em nossas paróquias, dioceses e grupos toda espécie de mentalidade e postura colonialista, acolhendo e valorizando a diversidade cultural, étnica e linguística num diálogo respeitoso com todas as tradições espirituais.

6. Denunciar todas as formas de violência e agressão à autonomia e direitos dos povos originários, à sua identidade, aos seus territórios e às suas formas de vida.

7. Anunciar a novidade libertadora do evangelho de Jesus Cristo, na acolhida ao outro e ao diferente, como sucedeu com Pedro na casa de Cornélio: “Vós bem sabeis que a um judeu é proibido relacionar-se com um estrangeiro ou entrar em sua casa. Ora, Deus me mostrou que não se deve dizer que algum homem é profano ou impuro” (At 10, 28)[8].

8. Caminhar ecumenicamente com outras comunidades cristãs no anúncio inculturado e libertador do evangelho, e com as outras religiões e pessoas de boa vontade, na solidariedade com os povos originários, com os pobres e pequenos, na defesa dos seus direitos e na preservação da Casa Comum.

9. Instaurar em nossas igrejas particulares um estilo de vida sinodal, onde representantes dos povos originários, missionários e missionárias, leigos e leigas, em razão do seu batismo, e em comunhão com seus pastores, tenham voz e voto nas assembleias diocesanas, nos conselhos pastorais e paroquiais, enfim em tudo que lhes compete no governo das comunidades.

10. Empenhar-nos no urgente reconhecimento dos ministérios eclesiais já existentes nas comunidades, exercidos por agentes de pastoral, catequistas indígenas, ministras e ministros e da Palavra, valorizando em especial seu cuidado em relação aos mais vulneráveis e excluídos.

11. Tornar efetiva nas comunidades a nós confiadas a passagem de uma pastoral de visita a uma pastoral de presença, assegurando que o direito à Mesa da Palavra e à Mesa de Eucaristia se torne efetivo em todas as comunidades.

12. Reconhecer os serviços e a real diaconia do grande número de mulheres que hoje dirigem comunidades na Amazônia e procurar consolidá-los com um ministério adequado de mulheres dirigentes de comunidade.

13. Buscar novos caminhos de ação pastoral nas cidades onde atuamos, com protagonismo de leigos e jovens, com atenção às suas periferias e aos migrantes, aos trabalhadores e aos desempregados, aos estudantes, educadores, pesquisadores e ao mundo da cultura e da comunicação[9].

14. Assumir diante da avalanche do consumismo um estilo de vida alegremente sóbrio, simples e solidário com os que pouco ou nada tem; reduzir a produção de lixo e o uso de plásticos, favorecer a produção e comercialização de produtos agroecológicos, utilizar sempre que possível o transporte público.

15. Colocar-nos ao lado dos que são perseguidos pelo profético serviço de denúncia e reparação de injustiças, de defesa da terra e dos direitos dos pequenos, de acolhida e apoio a migrantes e refugiados. Cultivar amizades verdadeiras com os pobres, visitar as pessoas mais simples e os enfermos, exercitando o ministério da escuta, da consolação e do apoio que trazem alento e renovam a esperança. Conscientes de nossas fragilidades, de nossa pobreza e pequenez diante de tão grandes e graves desafios, confiamo-nos à oração da Igreja. Que sobretudo nossas Comunidades Eclesiais nos socorram com sua intercessão, afeto no Senhor e, sempre que necessário, com a caridade da correção fraterna.

Acolhemos de coração aberto o convite do Cardeal Hummes para nos deixarmos guiar pelo Espírito Santo nestes dias do Sínodo e no retorno às nossas igrejas:

“Deixem-se envolver no manto da Mãe de Deus e Rainha da Amazônia. Não deixemos que nos vença a auto-referencialidade, mas sim a misericórdia diante do grito dos pobres e da terra. Será necessária muita oração, meditação e discernimento, além de uma prática concreta de comunhão eclesial e espírito sinodal. Este sínodo é como uma mesa que Deus preparou para os seus pobres e nos pede a nós que sejamos aqueles que servem à mesa”[10].

Celebramos esta Eucaristia do Pacto como “um ato de amor cósmico. “Sim, cósmico! Porque mesmo quando tem lugar no pequeno altar duma igreja de aldeia, a Eucaristia é sempre celebrada, de certo modo, sobre o altar do mundo”. A Eucaristia une o céu e a terra, abraça e penetra toda a criação. O mundo saído das mãos de Deus, volta a Ele em feliz e plena adoração: no Pão Eucarístico “a criação propende para a divinização, para as santas núpcias, para a unificação com o próprio Criador”. “Por isso, a Eucaristia é também fonte de luz e motivação para as nossas preocupações pelo meio ambiente, e leva-nos a ser guardiões da criação inteira”.[11]

Catacumbas de Santa Domitila
Roma, 20 de outubro de 2019

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18 out
O perdão é o homem em relação

O mundo atual é feito de relações que, muitas vezes, não possuem respaldo concreto na solidariedade que deve haver entre os seres humanos. As marcas destes desafetos gerados por estas relações podem ser vistas em nossa sociedade através de doenças, guerras, falta de trabalho, fome e tantas outras mazelas sociais. Na verdade, é a dignidade humana que se encontra ferida pela falta de um sentimento coletivo, muitas vezes lembrado, mas poucas vezes praticado, que é o perdão.

Agostinho de Hipona nos lembra muito bem que “Aquele que ofendeu a uma pessoa atraiu para si a sua perdição, pois não escutou a voz do teu Senhor.” (Sermão 114, 2). A raiz das nossas relações está no amor. Amor que devemos nutrir por todos e que verdadeiramente o temos se colocamos o mandamento de Deus em prática, através de nossas ações para com os nossos semelhantes. A falta de perdão é um sinal de que não conseguimos colocar esta verdade em prática. A falta de perdão se sobrepõe à nossa oração, pois desta forma o que falamos em nosso íntimo com Deus não conseguimos vivê-lo com o nosso próximo. “Perdoame como eu perdôo. É isto que diz na oração do Pai Nosso. Esta é a regra. Se queres que teu pedido de perdão seja acolhido por Deus, perdoa tu ao que te pede perdão.” (Carta 171 A, 1). Este descompasso entre a teoria e a prática de nossa fé causa todo o tipo de desarmonia em nossas relações interpessoais e que atingem as nossas famílias, comunidades e sociedades.

Em sua atividade pastoral como Bispo, Agostinho, já percebia que a dimensão do perdão é colocada como algo pequeno e justificável, ou seja, se põe um grande relevo sobre a ofensa muito mais do que a conseqüência do ato de não perdoar no seio da comunidade dos homens. “Não digas: ‘É uma coisa pequena, e logo se remedia’. Sem perdão nada e ninguém se remediarão sozinhos” (Sermão 114, 5). O perdão não vivenciado gera contenda. O desafeto entre irmãos produz mal estar no meio da comunidade e faz com que todo o corpo de Cristo, que é a Igreja, também fique enfermo. Esperar que o outro venha pedir perdão, também, não deixa de ser uma forma de banalizar os efeitos da falta de perdão. As inimizades e os rancores machucam o coração do cristão, paralisam a suas ações no mundo e não o deixam testemunhar a ressurreição de Cristo, que nada mais é do que transformar os momentos de morte em vida em plenitude a toda humanidade. “Não retenha em teu interior inimizade contra ninguém, porque maior é o mal que estes rancores causam em teu coração.” (Comentário a São João 1, 9).

O perdão é o homem em relação. Em relação com os outros, com a natureza e com Deus. “Eu te peço perdão de meus pecados e Tu queres que haja alguém a quem eu possa perdoar.” (Sermão 82, 4). Agostinho já intuía esta verdade em seu coração. Que além do perdão ajudar a libertar o coração do cristão, sanava o corpo da Igreja e restabelecia a harmonia das relações no mundo, porque a dinâmica do perdão evoca a presença de Deus àqueles que são atingidos pela graça do perdão. Basta, a cada um de nós tomar a iniciativa do perdão. Por que esperar que o outro venha pedir perdão? Por que se fazer de vítimas ou de indiferentes nas relações com os demais? Por que adiar a graça que Deus quer derramar sobre nós? “Eu quero ser perdoado. Então perdoarei. Esquecerei as ofensas que me foram proferidas e serão esquecidos os meus delitos. Quero receber. Então, darei. Somente assim, me será dado.” (Sermão 83, 2)

*Frei Arthur Vianna Ferreira, osa.
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4 out
Sínodo da Amazônia: Novos Caminhos para a Igreja e para uma Ecologia integral

Dom Romualdo Matias Kujawski
Bispo de Porto Nacional e Membro Sinodal

 

“Com efeito, sabemos que toda a criação, até o presente, está gemendo como que em dores de parto!” (Rm 8, 22)

Durante os dias compreendidos entre 06 e 27 de Outubro de 2019 realizar-se-á, no Vaticano, o Sínodo que congregará os Bispos da Região Pan-Amazônica, para refletir e partilhar o seguinte tema: “Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”. O documento de trabalho deste Sínodo: “Instrumentum Laboris” foi publicado no dia 17 de Junho deste ano. O texto é composto por 147 pontos divididos em 21 capítulos separados por três partes: A primeira parte se titulada “a voz da Amazônia” e tem a finalidade de apresentar a realidade do território e de seus povos. Na segunda parte, intitulada “Ecologia integral: o clamor da terra e dos pobres,” adverte-se sobre a “destruição extrativista”, abordam questões relevantes como “os povos indígenas em isolamento voluntário (PIAV)” e outros fenômenos de interesse mundial, como “a migração”, “a urbanização”, “a família e a comunidade”, “a saúde”, “a educação integral” e “a corrupção”. Na terceira e última parte do documento, encontramos os escritos sobre os desafios e esperanças da região e incentiva a Igreja a ter um papel “profético na Amazônia”, apresentando “a problemática eclesiológica e pastoral” da região.

Seguem abaixo algumas perguntas e respostas sobre esse tema, que poderão dirimir certas dúvidas que possam existir:

Primeiramente, o que é o Sínodo?

A palavra “sínodo” vem de duas palavras gregas: syn”, que significa “juntos”, e hodos”, que significa “estrada ou caminho”. Logo, o Sínodo dos Bispos pode ser definido como uma reunião do episcopado da Igreja Católica com o Papa para discutir algum assunto em especial, auxiliando o Santo Padre no governo da Igreja.

Quais os assuntos serão tratados no Sínodo?

No centro das deliberações será a situação dos povos da Amazônia. O “Instrumentum Laboris” destaca os problemas, que surgem da exploração descontrolada da riqueza natural da Amazônia e afetam a ecologia da Região. Entre os grandes problemas destacam-se os desmatamentos, garimpos descontrolados, grandes projetos hidroelétricos, monoculturas e desrespeito às tribos indígenas, suas culturas e territórios de domínio.

Entre os temas eclesiásticos encontram-se as questões das tradições locais e assistência pastoral no vasto território da Amazônia. Outro ponto, até bastante polêmico é o estudo da possibilidade de, na falta das vocações sacerdotais serem ordenados homens casados, de boa índole moral e provenientes das comunidades locais. Não se pode esquecer que a Igreja sempre cresce e se organiza a partir da Eucaristia. Também devem ser repensadas as funções dos leigos como lideranças nas comunidades, além de ampliar as tarefas destinadas às mulheres.

Quem participará do Sínodo?

Os Bispos Diocesanos de todas as nove províncias eclesiásticas da Região Pan-amazônica, incluindo Bolívia, Brasil, Equador, Peru, Colômbia, Venezuela, Guianas e Suriname. Também participarão alguns membros dos dicastérios da Cúria Romana, membros da eclesial rede Pan-amazônica (REPAM) e representantes do Conselho que prepararam o Sínodo.

Além disso, estarão presentes alguns religiosos que se envolvem pastoralmente na Amazônia, escolhidos pelos Superiores Gerais. O Papa Francisco também nomeou alguns peritos, leigos e eclesiásticos, que ajudarão na redação dos documentos do Sínodo. Terão direito à voz os representantes do “grito do povo” amazonense. O quadro então se completa com os observadores, os delegados das Igrejas Cristas, que atuam na Amazônia e representantes das Instituições e religiões não cristas.

Como trabalhará o Sínodo?

Estão previstos debates, plenárias com a presença do Papa, além dos trabalhos realizados em pequenos grupos de articulação em relação aos assuntos. A tarefa importante de sintetizar os debates cabe ao relator geral do Sínodo, Cardeal Cláudio Humes (Brasil), que é também Presidente da REPAM. Ele terá dois secretários especiais: Dom David Martinez de Aguirre Guinea (Vigário Apostólico de Puerto Maldonado – Peru) e Frei Michael Czerny da Cúria Romana (Dicastério dos Migrantes, Refugiados e Desenvolvimento Integral da Pessoa Humana). Um grande conselheiro que também participará será D. Erwin Kreuter, Bispo Emérito da Prelazia do Xingu do Araguaia (Brasil).

Porque este Sínodo é tão importante para a Igreja?

A Região da Amazônia é chamada de “pulmões verdes do mundo” e por isso é considerado importante em sua influência para o clima de todo o planeta. Assim sendo, todos os abusos ecológicos na Amazônia influenciam negativamente para toda humanidade.

No contexto eclesial, as novas propostas pastorais no território amazonense podem tornar-se modelos para outras Igrejas locais. Com ressalvas é claro, porque não se poderão copiar soluções pastorais na Amazônia em toda a Igreja.

O que acontecerá com os resultados do Sínodo?

Na última semana, os membros do Sínodo trabalharão a redação final do documento, que será entregue ao Santo Padre, o Papa Francisco. Este documento não causará nenhum efeito jurídico. Caberá ao Papa a publicação do documento final, na forma de Exortação Apostólica Pós-sinodal.

Contamos com vossas orações.

 

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26 set
O perdão mostra a qualidade da nossa fé

* Papa Francisco

Estevão «repleto do Espírito Santo» entre  diakonia e martyria. Este foi o tema da catequese do Papa Francisco na Audiência Geral desta quarta-feira (25/09), realizada na Praça São Pedro, com milhares de fiéis e peregrinos.

O Pontífice deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre o Livro dos Atos dos Apóstolos para “seguir a viagem do Evangelho no mundo”. O evangelista Lucas mostra, com realismo, a fecundidade dessa viagem e o surgimento de alguns problemas na comunidade cristã.

Como harmonizar as diferenças que existem dentro da comunidade cristã sem que ocorram contrastes e divisões?

“A comunidade não acolhia somente os judeus, mas também os gregos, ou seja, pessoas provenientes da diáspora, não judeus, com suas culturas e sensibilidades. Também de outra religião. Nós, hoje, dizemos “pagãos”. Eles eram acolhidos. Essa coexistência determina equilíbrios frágeis e precários, e diante das dificuldades emerge o “joio”. E qual é o joio que destrói a comunidade? O joio da murmuração, o joio da fofoca. Os gregos murmuram pela falta de atenção da comunidade em relação às viúvas.”

“Como os Apóstolos agem diante desse problema?”, perguntou o Papa.

Oração e pregação da Palavra de Deus

“Iniciam um processo de discernimento que consiste em considerar bem as dificuldades e procurar soluções em conjunto. Encontram uma saída ao dividir as tarefas por um crescimento sereno de todo o corpo eclesial e para não transcurar a “corrida” do Evangelho e a atenção aos membros mais pobres.”

Segundo Francisco, “os Apóstolos estão cada vez mais conscientes de que a sua vocação principal é a oração e a pregação da Palavra de Deus: rezar e anunciar o Evangelho, e resolvem o problema instituindo um grupo de «sete homens de boa fama, repletos do Espírito Santo e de sabedoria», que depois de receberem a imposição das mãos, se encarregam de servir às mesas. Os diáconos são criados para isso, para o serviço. O diácono, na Igreja, não é um segundo sacerdote. Não, não. É outra coisa”.

O diácono não é para o altar, não: é para o serviço. Ele é o guardião do serviço na Igreja. Quando um diácono gosta muito de ir para o altar, ele está errado. Este não é o seu caminho. Essa harmonia entre serviço à Palavra e serviço à caridade é um fermento que faz crescer o corpo eclesial.

“Criam sete diáconos”, frisou o Papa, e dentre eles destacam-se Estevão e Felipe. “Estevão evangeliza com força parresia (audácia), mas sua palavra encontra resistências. Não encontrando outra maneira de fazê-lo desistir, os seus adversários escolhem a solução mais mesquinha para aniquilar um ser humano: ou seja, a calúnia ou falso testemunho. Nós sabemos que a calúnia mata. Sempre.”

Calúnia, câncer diabólico

“ Esse “câncer diabólico” que é a calúnia, que nasce do desejo de destruir a reputação de uma pessoa, também agride o resto do corpo eclesial e o danifica seriamente quando, devido a interesses mesquinhos ou para encobrir as próprias falhas, se aliam para difamar alguém. ”

“Levado ao Sinédrio e acusado de falso testemunho, fizeram o mesmo com Jesus e o mesmo farão com todos os mártires: falsos testemunhos, calúnias”, frisou o Papa.

Estêvão proclama uma releitura da história sagrada centrada em Cristo, para se defender.

“A Páscoa de Jesus morto e ressuscitado é a chave de toda a história da Aliança. Estêvão denuncia corajosamente a hipocrisia com a qual os profetas e o próprio Cristo foram tratados. «A qual dos profetas os pais de vocês não perseguiram? Eles mataram aqueles que anunciavam a vinda do Justo, do qual agora vocês se tornaram traidores e assassinos». Não usa meio termo, Estêvão fala claro, diz a verdade. Isso causa a reação violenta dos ouvintes, e Estêvão é condenado à morte, à lapidação”, sublinhou o Pontífice. Ele coloca “a sua vida nas mãos do Senhor e a sua oração é linda naquele momento: «Senhor Jesus, recebe o meu espírito» e morre como filho de Deus perdoando: «Senhor, não os condenes por este pecado.»”

A Igreja de hoje é rica de mártires

Segundo Francisco, “essas palavras de Estevão nos ensinam que não são os bonitos discursos que revelam a nossa identidade como filhos de Deus, mas apenas o abandono da vida nas mãos do Pai e o perdão aos que nos ofendem nos mostram a qualidade da nossa fé”.

“A Igreja de hoje é rica de mártires – hoje existem mais mártires do que no tempo do início da Igreja, e os mártires estão por toda parte; a Igreja é irrigada pelo seu sangue que é a “semente de novos cristãos” e garante crescimento e fecundidade ao povo de Deus. Os mártires não são “santinhos”, mas homens e mulheres de carne e osso que, como diz o Apocalipse, “lavaram suas vestes, tornando-as brancas no sangue do Cordeiro”. Eles são os verdadeiros vencedores”, concluiu o Papa.

 

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23 set
Convivência como forma de educar socialmente para os direitos humanos

Frei Arthur Vianna Ferreira*

A Pedagogia Social, como campo teórico é algo que se faz na construção diária de educadores sociais que organizam práticas socioeducativas que proporcionem os indivíduos a transformarem, da melhor maneira possível, as realidades sociais vividas na vulnerabilidade de seus grupos sociais.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948 proporciona uma reflexão positiva para as práticas socioeducativas cotidianas desses educadores sociais. Os conteúdos consensuados e expostos nesse documento passam a ser uma possibilidade de início de organização de conteúdos mínimos para o ambiente educacional não escolar e práticas socioeducativas realizadas em instituições sociais, públicas e privadas, que promovem relações humanas dignas, que respeitem as diversas manifestações da humanidade no interior dos grupos sociais.

No Brasil, a educação nos valores expostos pelos Direitos Humanos é legitimada através do Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos de 2007 (PNEDH-2007) ainda pouco divulgado e trabalhado em sua integralidade entre os próprios equipamentos sociais responsáveis por essas práticas socioeducativas. Vale ressaltar, que esse documento apresenta um capítulo específico para as práticas socioeducativas em espaços não escolares e/ou não formal e que muitas vezes não são devidamente aprofundados na formação inicial e/ou continuada dos profissionais da educação no país.

A Pedagogia da Convivência, proposta por Jares (2005) como um campo teórico-prático de atuação para educadores sociais, se apresenta como uma reflexão relevante sobre a organização de um conteúdo básico e inicial a ser trabalhado pelos profissionais da educação com os jovens e adultos dentro e fora do ambiente escolar. A partir de elementos retirados dos Direitos Humanos de 1948, a pedagogia da convivência propõe uma metodologia que faça os responsáveis pelas práticas socioeducativas a pensarem sobre os conteúdos a serem trabalhados com as camadas empobrecidas e os temas mais relevantes das práticas de educação social.

Jares (2004) afirma que os conteúdos propostos pelos Direitos Humanos são fundamentais para pensarmos em uma convivência pedagógica que leve os indivíduos às práticas educativas que suscitem relações sociais saudáveis em situações de extrema diferença entre os indivíduos, os seus grupos sociais e os seus interesses pessoais e coletivos. Segundo o autor, a educação para e a partir dos direitos humanos deve promover uma educação para a verdade e a convivência pacífica entre os seres humanos (o que não excluiu os processos de conflitos e/ou limitações oriundos das relações sociais).

Assim, podemos inferir que para Jares (2005; 2007) os direitos humanos se constituem em um campo axiológico da aprendizagem que está alicerçado no valor à vida e que deve ser/fazer parte do ensino-aprendizagem nos espaços não escolares. Esse é o maior bem que emanam todos os tipos de educação cujo objetivo é educar o ser humano para estar no mundo. E, por isso, independente dos sujeitos sociais ou da situação de vulnerabilidade social em que os grupos se apresentam, o educador social deve levar em consideração esse valor social em todo o seu planejamento socioeducativo.

Contudo, o valor à vida, como conteúdo basilar de construção de práticas socioeducativas, se desdobra em três aspectos educacionais importantes para o bom êxito do desenvolvimento de práticas de convivência na educação em espaços não escolares: a educação para a solidariedade, que deverá promover uma reflexão sobre a pobreza e a justiça vivida pelos grupos sociais; uma educação para a não violência, que suscitará repensar sobre o ódio presente nas relações sociais, a não criação de maniqueísmo ou a derrubada da criação de inimigos na convivência social; e, a educação para a dignidade humana que buscará entender os outros dois elementos importantes nas relações sociais: o medo, inerente à convivência humana com aquilo que pode desestruturar as representações sociais e cognitivas de um grupo sociail sobre o mundo ao seu redor; e, a democracia, como possibilidade dos indivíduos serem e estarem no mundo, participando ativamente como cidadãos e da política local, assim como levando a cabo, a vivência dos direitos humanos como parte constitutiva de nossa existência.

Enfim, os valores apresentados pelos direitos humanos é parte da convivência social. Ambos devem ser pontos fulcrais do trabalho do profissional da educação que se encontra nos campos educacionais não escolares. De fato, entender a Declaração dos Direitos Humanos e engajar-se em uma educação para os Direitos Humanos possibilita a uma reflexão sobre o exercício de sua docência de forma ampliada.

Assim, desprendidos dos conteúdos postos pelos currículos da educação formal, o profissional da educação pode exercer a sua docência através de um processo de ensino-aprendizagem que contenha os conteúdos necessários para que os grupos sociais em estado de vulnerabilidade social possam utilizar suas potencialidades para iniciar seus processos de emancipação e transformação social. A convivência e direitos humanos se entrelaçam para se constituir parte de uma Pedagogia Social que promova não somente a formação inicial e continuada do educador social, mas também seja eficaz e eficiente para os grupos sociais empobrecidos atendidos pelas práticas da educação social.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos. Brasilia: SEEDH-MEC, 2007.

JARES, Xesús. Pedagogia da Convivência.São Paulo:Pala Athenas, 2008.

_____. Educar para a verdade e para a esperança. Porto Alegre: Artmed, 2005.

_____. Educar para a paz em tempos difíceis. São Paulo: Pala Athenas, 2007.

_____. Educação para a Paz: sua teoria e sua prática. Porto Alegre: Artmed, 2002.

_____. Educación e Dereitos Humanos: estratexias didácticas e organizativas. Galicia: Edición Xerais, 2000.

 

*Frei da Província Agostiniana Nossa Senhora da Consolação do Brasil 
Doutor em Psicologia da Educação – PUC SP
Professor Adjunto da Universidade do Estado do Rio de Janeiro


Imagem de destaque: Divulgação/ONU

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