ANO VI - Nº 54 - JANEIRO/FEVEREIRO/MARÇO 2004

Vicariato Nossa Senhora da Consolação

75 anos de presença no Brasil

O Boletim Inquietude, neste primeiro número de 2004, inicia uma retrospectiva histórica do Vicariato Nossa Senhora da Consolação do Brasil, neste ano em que celebramos os 75 anos da chegada dos primeiros religiosos agostinianos que deram origem ao nosso Vicariato.

Os Agostinianos tiveram uma primeira presença no Brasil durante o período colonial, estabelecendo-se em Salvador - Bahia de 1693 a 1824, onde se fundou o Convento Nossa Senhora da Palma.

A nossa história enquanto Ordem de Santo Agostinho no Brasil inicia-se em 1899, quando um grupo de religiosos Agostinianos da Província das Filipinas aqui chegou, assumindo um diversificado apostolado na educação, na área social e paroquial. Esse primeiro grupo tornou-se em 1926 a Vice-Província do Santíssimo Nome de Jesus do Brasil e após o último Capítulo Geral passou a ser chamado em 2002 de Vicariato do Santíssimo Nome de Jesus do Brasil.

O segundo grupo de Agostinianos a chegar no Brasil foi o dos religiosos da Província Matritense do Sagrado Coração de Jesus. Em setembro de 1929 chegam os Freis Antônio Fernandez e Manuel Formigo, que foram destinados à Diocese de Valença, no Rio de Janeiro. No mesmo ano chegaram os Freis Ricardo Rodriguez e Wenceslau Martín. Nos anos seguintes outros tantos foram chegando e abrindo novos campos de trabalho no Rio de Janeiro e Minas Gerais. Nesta primeira retrospectiva queremos recordar algumas dessas figuras.

OS PIONEIROS

Frei Luciano Tobar Pardo

Corria o ano de 1929. A Província Agostiniana Matritense, cheia de pujança e vida nova, buscava novos campos para sua expansão apostólica e docente. As Américas descortinavam um novo horizonte. Anos antes, houve algumas tentativas de entrada no México, mas os que ali foram não conseguiram deitar raízes. Os olhares voltaram-se então para o Brasil, onde já havia um grupo de religiosos trabalhando.

 

 

 

Frei Andrés Perez de Toledo
1º Cimissário Provincial

A oportunidade surgiu quando passou pelo Escorial um sacerdote galego que trabalhava no Brasil: o Pe. José Gómez. Este padre falou com tanto entusiasmo do Brasil que o Provincial da época, Frei Isidoro Martín resolveu enviar dois religiosos para o novo campo de trabalho; os Freis Antonio Fernández e Manuel Formigo.

No mês de setembro de 1929, desembarcaram no porto do Rio de Janeiro, rumando imediatamente para a cidade de Valença, onde trabalharam sob a orientação do Pe. José Gómez. Pouco depois, o Bispo da Diocese de Valença, Dom André Arcoverde, lhes entregava a paróquia de Santa Terezinha na pequena cidade fluminense de Rio Preto.

Frei Ricardo Rodríguez

Houve, no entanto, um primeiro contratempo: o rigor do clima logo atingiu a saúde, um tanto delicada, do Frei Formigo, que se viu obrigado a voltar à Espanha poucos meses depois. Longe estava ele de imaginar o que iria lhe acontecer: em 1936 morria assassinado em Málaga, no meio do furor da fratricida Guerra Civil Espanhola.

Frei Antonio Fernández continuou no Brasil, desdobrando-se na paróquia de Santa Terezinha, onde construiu um belíssimo santuário, que até hoje conserva em sua sacristia o retrato de seu primeiro Pároco.

 

No dia 19 de novembro de 1929, chegava Frei Ricardo Rodríguez, para ajudá-lo a abrir novos campos. E logo surgiu a oportunidade, pois o Bispo de Valença lhes ofereceu a direção do Colégio Diocesano da cidade. Em dezembro do mesmo ano chegava Frei9 Wenceslao Martín, que foi seu primeiro diretor. Este colégio funcionou por dois anos em condições bem precárias, uma vez que o alunado era bastante reduzido. As perspectivas futuras eram também pouco promissoras, pelo que se decidiu fechá-lo.

Estudaram-se então outras possibilidades em centros maiores, já que estava para chegar da Espanha um numeroso grude de frades. O Rio de Janeiro, então Capital Federal, e Belo Horizonte, a novíssima capital de Minas Gerais, atraíram particularmente a aten,ao de nossos religiosos.

Efetivamente, em julho de 1931, chegavam ao Brasil os Freis Benito Prieto, Saturnino Casas e Andrés Pérez de Toledo, como primeiro Comissário Provincial. Em agosto do mesmo ano, desembarcaram os Freis Agustín Fincias, Marcelino García, Vicente Rabanal e Francisco Gil. Em setembro era a vez de Frei Luciano Tobar, Celestino Elvira, Mariano Luis e Germán Herrero e, em outubro, ainda sem terminar os estudos, os Freis Juan Francisco Herrero e Victorino Turienzo. Já no ano seguinte, os Freis Pedro Martinez, Donato Rodríguez, Aniano Rodríguez, Marceliano García e Manuel Martinez.

Finalmente, completando o grupo dos que podemos considerar como pioneiros, desembarcavam em Santos, em agosto de 1933, os Freis Marcelino Barrio, Hilário Martinez, Amador Franco e Cipriano Alvarez. Em setembro, chegava o novo Comissário Provincial, Fr. Carlos Vicuña, o grande dinamizador do Vicariato Matritense em seus inícios. A última leva daqueles inícios chegou em janeiro de 1934: os Freis Evaristo Arámburu e Agustín Cermeño.